terça-feira, 26 de julho de 2016

Da Igreja

A luta dos protestantes contra a Igreja milenarmente estabelecida por Cristo, do ponto de vista social e religioso, tem produzido uma verdadeira revolução espiritual de lutas e dispersão no seio das muitas seitas fragmentadas, em um avanço sistemático sob bandeiras próprias.

Do ponto de vista eclesiástico, o fenômeno do Big-Bang religioso intensificado nos EUA em meados do Séc. XIX, é o responsável pelo surgimento das igrejas livres, autônomas e autossuficientes em si mesmas, ecoando ainda hoje.

Estas, demonstrando sua face puramente humana, se assemelham à partidos políticos, da qual, disputam os votos dos fiéis para qual apresentar a melhor proposta de vantagem pessoal. Neste quesito, há denominações self-service para todos os gostos e interesses particulares, quando não, insólitos.
INTRODUÇÃO

O conceito de Igreja nas esferas protestantes, se desvaneceu e entrou em uma profunda minimização relativa para abrir espaço a quem desejar assegurar a si mesmo em sua teologia particular meramente interpretativa. Jogaram para baixo do tapete todo o contexto histórico da Tradição apostólica para engrandecer suas estranhas teologias fundamentadas em mitos criados. Chegamos ao absurdo de presenciarmos tanto ecletismo nestas denominações, ao ponto de estarem paganizadas em seus rituais, sejam eles grosseiros e barulhentos ou em ambiente calmo onde o indivíduo senta, canta, escuta um sermão e volta para casa. Os primeiros nada coam, os demais coam as moscas e engolem os camelos em uma aceitação meramente passiva daquilo que lhes dão para ingerir (Mt 23,13-33).
- "Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade." (Mt 23,28).
  
Entretanto, do lado de fora do caldeirão fervente de sopa de denominações pessoais das esferas pseudocristãs (1Co 3,11), a Igreja estabelecida por Jesus tem permanecido distante, sólida nas Tradições apostólicas e sem novidades durante milênios, e, está neste momento preparando seus membros para o estabelecimento da verdadeira paz e comunhão universal (Mt 19,28). Deste propósito, declara a justa razão de seu estabelecimento por Cristo e sua existência atravessando as eras, rumo ao fim.
- "De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;" (Ef 1,10).
- "E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus." (Cl 1,20).

Igreja Necessária

Assim, deste projeto de união em Cristo de todas as coisas do universo (Ap 21,1; Is 65,17; 66,22; 2Pe 3,7; At 3,21), devemos perceber que a Igreja por Ele instituída, é a parte fundamental na Terra deste propósito (Cl 1,18, Dn 12,4) e nada tem de faz-de-conta como muitos embotados no espírito tem tratado levianamente o assunto, pois, todos aqueles que tomam parte nesta Igreja, se tornam membros de Seu Corpo, contrastando com àqueles que irão para perdição por crerem que fora da Arca da salvação, se safarão individualmente cada qual em seu barquinho mal-acabado (1Pe 3,20; 2Pe 2,5).

Sendo desta forma que Deus deliberou, toda e qualquer outra igreja de origem humana, e que portanto, não seja a Sua (Mt 16,18), é uma vã tentativa do homem de se chegar a Deus por seus próprios meios, méritos e empenho. A exemplo e paralelamente da Torre de Babel, que subia para os céus em um insensato esforço humano de encontro com Deus, bem como aconteceu analogamente aos diversos povos construtores de pirâmides. 

Se Jesus estabeleceu claramente sua Igreja, seria tão lógico, que os perdidos à procurassem insistentemente ao invés de pararem a beira do caminho e edificarem sobre seus próprios ombros a sua igreja, seu barquinho de salvação. Isto é insano!

Igualmente aos pagãos, na atualidade toda religião instituída por homem, se revela por possuir as mesmas características babilônica, a saber, de uma vã tentativa de querer levar o homem à Deus. Todas desejam por próprios meios humanos, tais como: o conhecimento intelectual, as obras de exerção, as penitências individuais descompromissadas com o direito alheio violado, os cultos antrópicos, e enfim, todo meio imaginável de supostamente pegarem carona em uma carruagem espiritual e subirem à Deus.

E isso tudo, se contrasta com a Religião de Cristo (Zc 11, 16-17), em que é Deus quem desce do Céu e vem ao encontro do homem e o introduz graciosamente em Sua Arca que é Seu aprisco, que por sua vez significa Sua Igreja ou Seu Corpo místico (Jo 10,16; Ez 34,20-24). 

Se Deus não vem em busca do homem, é inútil o homem tentar ir até Deus. Assim, a Igreja, Corpo místico de Cristo, é o único lugar em que se encontra a presença viva e palpável de Cristo na Terra, transubstanciado no pão e no vinho consagrados, da qual comunica a salvação de todos aqueles que o recebem em si mesmos.
- "... Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo." (Mt 26,26).
- "porque este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão de pecados." (Mt 26,28).
- "Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6,53-54).

Parte I – O PRINCÍPIO DA IGREJA
Estabelecida por Cristo

É fato que Jesus estabeleceu a Sua Igreja desde o princípio, já que proferiu:

- “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,18-19).

Que Pedro e os apóstolos são as pedras do alicerce da Igreja, fica esclarecido por São Paulo, e que todos os seus membros também são pedras desta edificação fica esclarecido também por São Paulo e São Pedro: 
- “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” (Ef 2,20-22).
- "Achegando-vos a Ele, a Pedra Viva, rejeitada pela humanidade, mas eleita e preciosa para Deus, vós também, como pedras vivas, sois edificados como Casa espiritual, com o propósito de serdes sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo." (1Pe 2,4-5).

Organizada

"Porquanto Deus não é Deus de confusão, mas de paz." (1Co 14,33). Assim, ao instituir a Igreja, Jesus não escolheu os doze Apóstolos nem os treinou sem motivos propositados, mas os quis como grupo estável de liderança e continuidade para Sua Igreja para quando partisse (Lc 6,12-13; Mc 3,13-14), pois, sem fundação sólida na rocha, uma edificação desaba (Mt 7,24) e em particular escolheu Pedro para primazia dentre eles (Mt 16,18-19).
- "Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue." (At 20,28).

Confirmando o primado de Pedro sob a Nova Aliança com os outros Apóstolos em cooperação, além do texto de Mateus 16,18-19 acima mencionado, temos o indicador de que sempre que Deus muda o nome de alguém é com um grande propósito que o faz:
- “Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações; e não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto;” (Gn 17,4-5).
- “Disse Deus mais a Abraão: A Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome.” (Gn 17,15).
- “E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou-lhe Israel.” (Ge 35,10).
- "Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará - Emanuel - Deus Conosco." (Is 7,14; Mt 1,23). "Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus" (Mt 1,21).
- “E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).” (Jo 1,42).

Portanto, sem esforços de malabarismos teológicos, vemos a suave concordância da Bíblia nesse ponto quanto a Pedro. Ademais, perceba mais duas situações ressaltando tal verdade: O direcionamento enfático do pedido de Jesus feito três vezes e destinando-se à Pedro pela sua filiação para não haver mau entendimento entre os demais juntos ali:
- "Tendo eles comido, 
1) Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 
2) Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. 
3) Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas." (Jo 21,15-17).

Pedro possuir as chaves do Céu, refere-se aos seus direitos sobre a Igreja, pois elas, significam sua autoridade régia:
- "E que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno." (Ap 1,18).
- "E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos." (Jo 20,22-23).

Fato é, ninguém pode contestar a validade de tais direitos dados por Cristo, Senhor de Sua Igreja, pois à Ele pertencem as derradeiras chaves e as entrega a quem quiser:
- "E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre." (Ap 3,7; Is 22,22).
- "Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?" (Mt 20,15).

Devemos acrescentar também, que esta escolha se deu intencionalmente a despeito de que Jesus amava mais a João (Jo 13,23; 19,26; 20,2; 21,7; 21,20) e que ele seria o último dos apóstolos a morrer (vide Tradição dos santos padres).

Papa: Petrus Apostolus Princeps Apostolorum (Pedro Apóstolo Príncipe dos Apóstolos).

Visível

Jesus após Sua ascensão, Sua Igreja terrena, porta de entrada para os céus pelas chaves de Pedro, ficou edificada sobre a responsabilidade dos santos Apóstolos (Mt 28,19-20), sendo o próprio Jesus, a Pedra principal nos céus (Ef 2,20-22; 1Co 3,11). 

Jamais houve uma Igreja virtual, quer dizer, espiritual tão somente, até porque todos nela estão vivos (1Pe 2,4-5) porém, conformados em um único Espírito (1Co 12,13).
- "Saudai aos irmãos que estão em Laodiceia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa." (Cl 4,15).

Se a Igreja terrena fosse tão somente espiritual, a unica fé, o único batismo e a única Igreja (Ef 4,4-5) seriam uma alegoria de Cristo, já que onde dois ou três tivessem reunidos em Seu nome (Mt 18,20), aquilo poderia ser considerado uma Igreja, tal como acontece no meio protestante (Mt 7,22-23). Poderíamos deste modo, entrar em qualquer templo escolhido a revelia por onde estivéssemos passando e  ali tomar parte dos rituais, pois, se ela é somente espiritual, todo ensino em teoria seriam bons, já que as contradições seriam apenas pontos de vistas diferentes da qual em nada importaria para o cristão.

Entrementes, segundo a Palavra sagrada, a Igreja é apenas os participantes do Corpo de Cristo:
- "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela." (Ef 5,25) (Ti 2,14; Gl 1,4; Ef 5,2).

O templo é o identificador do que se pratica ali dentro e de quem ali frequenta. Por exemplo: Se alguém entrar em um templo das Testemunhas de Jeová, será identificado como praticante do se prega ali. Se outro entrar em um templo espírita, será identificado como tal. Contudo, na teologia protestante, estes saltos de um lado para o outro é plenamente admissível, já que toda igreja é boa porque prega o amor, sendo portanto, todos irmãos.  

Entretanto, o julgamento da Tradição Apostólica não faz alusão a essa possibilidade relativizada, dispersiva, tumultuada e contradizente (1Co 3,11):
- "Como está escrito: Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje. E Davi diz: Torne-se-lhes a sua mesa em laço, e em armadilha, E em tropeço, por sua retribuição." (Rm 11,8-9).

O juízo cristão que deveríamos ter, não deveria nos permitir participar com os espíritas reunidos em nome de Jesus segundo o evangelho espírita. Não deveria também abrir as portas para as Testemunhas de Jeová que pregam um inferior Jesus angélico. Não deveria receber os Mórmons com suas boas novas angelical. Não deveria escutar o que diz o profeta Yeshua HaMashiach do Judaísmo Messiânico. Enfim, porque deveríamos acolher toda velhacaria pseudocristã para que cumpramos a versão bíblica de aceitar de tudo provindo daquilo que dois ou mais estabelecerem em nome de um tal Jesus que não nos disse isso nos evangelhos? Mas no caso, o contexto ali nos informa que é para cristãos reunidos como Igreja, membros de Sua Igreja (Mt 18,18-20).

Aqui na terra, a Igreja é militante e dinâmica, ou seja, é evangelizadora, é admoestante, é salvífica e é caritativa (Mt 25,14-30; 25,31-46; Lc 16,16). Já nos céus, a Igreja é triunfante (Hb 9,15) e intercessora (Rm 8,27; Ap 1,6).

- "Não abandonemos a nossa assembléia, como é costume de alguns, mas admoestemo-nos mutuamente, e tanto mais quando vedes aproximar-se o Grande Dia." (Hb 10,25).
- “E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.” (At 9,5); (1Co 15,9)

Entendemos neste último texto, que perseguir a Igreja visível de Jesus, ou seja, seus membros, seria como perseguir a Ele diretamente. E isso está de acordo com Suas palavras de que fazer algo a Seus irmãos é como fazer a Ele próprio (Mt 25,33-40). Neste ponto, é de suma importância para aqueles que estão perdidos nas milhares de seitas mundo afora, inclusive os grupos pseudo-cristãos, porque Cristo alertou que Sua Igreja visível seria perseguida, difamada e morta enquanto seus atormentadores pensariam estar à serviço de Deus (Jo 16,2); (Lc 12,4) e ai destas pessoas (Lc 6,25-26).

Parte II – A ESTRUTURA DA IGREJA
Una

Se Deus é Um, é óbvio que só pode haver uma Igreja, pois Ele não pode contradizer Sua essência. De mesmo modo, é inadmissível haver diversas fés e diversos cristianismos, pois Cristo é Um. De maneira que a Igreja, apesar de estar espalhada pelo mundo, ela é uma, reunida, organizada e dirigida sob seu dono e Senhor:
- “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.” (Jo 17,21-22).
- “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.” (Ef 4,4-6); (Ef 4,15-16).
- "Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros." (Rm 12:4,5).
- "Sim, o que vimos e ouvimos, isso vos proclamamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo." (1Jo 1,3).

Portanto, nada existe de precedentes na história do povo de Deus de que Ele tenha alguma vez mudado Suas decisões para acomodar as vontades e interesses humanos (Is 55,11). No antigo Israel, quando o povo pecava gravemente, Deus os punia e os corrigia, mas nunca os abandonava para instituir outro povo. Manteve Sua Aliança Abraâmica até sua consumação (Mt 5, 17). Assim, mais ainda se dá com Sua Igreja sob a Nova e Eterna Aliança por esses dois milênios, pois nada há nas Escrituras ou na Tradição Apostólica que testifique que uma segunda Igreja ou mesmo muitas seriam levantadas em substituição daquela primeira (Mt 28,19-20; At 2,42). Deixo aqui minha pergunta aos protestantes, da qual, gostam de nos fazer: "Aonde está escrito isso na Bíblia?".

A resposta é um silêncio absoluto! Pois o Próprio Jesus garantiu:
1- Que estaria com sua Igreja até a consumação de todo as as coisas (Mt 28,20).
2- Que as portas do inferno não prevaleceriam contra Sua Igreja (Mt 16,18).
3- Que ela jamais permaneceria só (Jo 14,18).

No antigo Israel, os Samaritanos quiseram usurpar a verdadeira adoração para eles, mas Jesus foi incisivo ao dizer que a adoração pura, aprovada e salvífica estava com os Judeus da ainda vigente Aliança (Jo 4,20-22). Assim, de mesma maneira ocorre com a Igreja (2Pe 2,1; Mt 23,28; 2Co 11,13).

Salvífica

Jesus prometeu, que toda pessoa que fosse Dele, Sua ovelha, Ele a buscaria aonde estivesse e a traria para DENTRO do Seu redil para que o rebanho inteiro permanece unido:
- "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor. (Jo 10,16). 

Fica assim evidente que fora de Sua Igreja ou redil, não há salvação, não há o chamado daquela pessoa, porque existem inúmeros apriscos ou caminhos a serem trilhados, porém conduzem todos à perdição (Mt 7,13). Desta forma, sozinhos, a porta do redil não pode ser encontrada (Mt 7,14), e mesmo quando achada, é com muita ‘violência’ que se consegue abri-la (Mt 11,12). 

Ademais, ninguém entra no aprisco sem ser conduzido pelo Bom Pastor (Jo 10,14-16; 26-29). Uma ovelha perdida pelas estradas da vida, para ser encontrada, precisa balir alto e constantemente até ser localizada e guiada (Lc 18,7-9; Lc 15,4). Porém, nem todas querem isso, pois, por onde andam, as pastagens são abundantes e o tempero do descompromisso é a regra (Lc 8,11-14; 1Pe 5,8). 

Percebemos desta maneira sem os malabarismos de interpretações, que todas as demais igrejas que não seja aquela da qual Nosso Senhor estabeleceu, não pode salvar (Jo 10,12-13; Lc 11,23; Mt 12,30), pois o próprio Jesus disse que todo reino dividido contra si, está arruinado (Mt 12,25). 

Assim, a Igreja não é um elemento puramente acidental na história do cristianismo. Não pode ser tratada como uma camisa que se usa hoje e amanhã coloca-se outra. Até porque, para ser cristão não se pode escolher o credo que melhor lhe convém, porque isso seria soberba, seria um desprezo pela Santa Palavra e pela Igreja Divinamente instituída:
- "E, assim, a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam sendo salvas." (At 2,47). 
- "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela." (Ef 5,25).

A propósito, a salvação não vem pela leitura da Bíblia, até porque, os primeiros cristãos por aproximadamente quatrocentos anos, não liam a Bíblia pelo simples fato dela não existir. Mesmo após sua compilação, a maioria era analfabeta e não existiam livrarias vendendo Bíblias a granel porque elas eram compiladas à mão.

Parte III - A IGREJA ATRAVÉS DA HISTÓRIA
Ininterrupta

Jesus comparou sua Igreja como uma semente de mostarda da qual é a menor dentre todas as hortaliças, mas quando cresce é a maior delas onde todos se abrigam (Mt 13,31-32). Sua trajetória humilde na manjedoura com Maria e José os primeiros cristãos (sagrada família), se faz hoje a maior dentre todas as demais criadas por homens insignificantes.

Alguns poderiam dizer que a Igreja começou na cruz ou em pentecostes, mas conceitualmente, podemos afirmar que ela começou na manjedoura ou mesmo na concepção de Maria, até porque, foi por esse motivo que Jesus se manifestou.

Essa continuidade se deve a promessa de Jesus da qual Ele mesmo estaria conduzindo Sua Igreja numa missão de salvamento de almas através dos tempos até o final:
- "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." (Mt 28,19-20).
- "Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós." (Jo 14,18).
-"...a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mt 16,18).


Nisso a Sua Igreja foi exímia, reunindo as suas Palavras inspiradas, preservando-a, pregando-a em toda a terra por estes dois mil anos, apesar da tentativa do diabo de impedi-la através de homens pérfidos, porém, ela sobreviveu a todas as investidas: "e eis que eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos".

Após o enfraquecimento do Império Romano, a Igreja ficou sozinha no meio de povos bárbaros. O mundo inteiro era pagão, mas com a graça de Deus, a Europa bárbara, tendo Roma como núcleo estável, foi sendo cristianizada e os restantes da Terra, após. 

Tutelada

Desta maneira, a Igreja jamais permaneceu sem pastoreio até os nossos tempos como ledamente creem os protestantes. Em cada Igreja, sempre houve ao menos um Bispo responsável, sustentáculo e guia da fé unidos e sob o arranjo e a Tradição apostólica:
- "Saudai a todos os vossos chefes e a todos os santos. Os da Itália vos saúdam." (Hb 13,24).
- "Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei." (Tt1,5).
- "Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; e que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai. (At 20,28-31).
- "Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós" (1Pe 5,1-2).

Dizerem irrefletidamente que Constantino fundou a Igreja Católica, é no mínimo um ardil do diabo para justificar as próprias existências rastejantes de outras igrejas humanas, ou seja, querem justificar um erro forjando um mito na história de um outro erro maior. Atestem que naquele tempo, todas as Igrejas já estavam firmemente estabelecidas. Mesmo perseguidas, estavam aumentando vagarosamente em discípulos. Assim, Constantino apenas se tornou um cristão, seja por mera politicagem ou por honestidade de coração, o fato é que com sua autoridade sobre o mundo habitado e conhecido, sob a influência de sua mãe Helena, uma cristã sincera, pavimentou todos os caminhos da expansão do evangelho e da autorização para construção de templos para reuniões públicas da Igreja, facilitando assim, o cumprimento do gigantesco comissionamento de Jesus - mera coincidência do destino?

Caso Constantino houvesse fundado a Igreja Católica, o que teria acontecido com os milhares de cristãos da época? É irônico pensar nisso pela estúpida visão estreita protestante, teriam sido eles desintegrados, abduzidos, arrebatados, todos massacrados nas arenas, mudado de opinião para se adequarem à de Constantino a despeito da coragem demonstrada nas arenas? Jesus teria sido um mentiroso e sua cruz teria sido um fracasso. Porém, sabemos que isso é uma mentira do diabo para desmerecer a Igreja de Cristo, já que quase cem anos após, a Bíblia Canônica é instituída pela providência Divina por meio do Espírito Santo e durante os séculos a frente, preservada em sua integridade e pregada sistematicamente, ao ponto da Europa e outras terras passarem a ter a forte influência da cultura cristã com o paganismo romano e bárbaro serem banidos. Hospitais se formaram, universidades apareceram, asilos e orfanatos foram criados, as mulheres adquiriram direitos. Toda a civilização ocidental como a conhecemos começou a tomar forma com a religiosidade cristã permeando a vida de todos. 

Da Tradição Apostólica

Um dos pilares sobre os quais se assenta a fé da Santa Igreja, é ainda a Sagrada Tradição Apostólica. Ela nunca relegou esta responsabilidade. Esta Tradição, se faz em tudo aquilo que foi recebido dos Apóstolos e que a eles foi confiado diretamente pelo próprio Jesus Cristo (Jo 21,25). É esta Tradição que dá sentido as passagens difíceis de se entender das Escrituras, é o tendão de Aquiles que os protestantes não possuem (2Tm 1,13-14; 1Co 11,23; 15,3; 1Jo 1,3). 
- "Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição." (2Pe 3,16).
- "Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo;" (Jd 1,17).
- "Então, irmãos, estai firmes e retende as Tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa." (2Ts 2,15).
- "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (At 2,42).

Doravante, fica portanto esclarecido pelos textos, que não se trata da tradição de homens tal como vemos nas seitas cristãs divergentes com suas miríades de teologias 'achistas', mas trata-se daquilo que se refere à salvação da alma e que nos foi confiado estritamente pelo Senhor (Jo 21,25) nos registros da Igreja pelos muitos santos. 
- "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação." (2Pe 1,20).
- "E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse." (At 8,30-31).

Como exemplo maior da Tradição Apostólica e sua utilidade, temos a própria Bíblia que pode ser considerada um conjunto de livros da Tradição da Igreja, porque nem um único trecho dela foi escrito diretamente por Jesus para que aquele determinado livro fugisse deste preceito, e também nunca existiu uma lista Divina ou Apostólica que relacionasse tais. 

Assim, como as Escrituras nunca possuíram algo que facilitasse a enumeração dos Canônicos, a Igreja teve que os definir pela Tradição os que eram inspirados, e portanto, isso deve ser um ponto de fé em comum na autoridade que Jesus delegou à Sua Igreja de ligar ou desligar assuntos pertinentes à salvação. Deste modo, dizerem que a Bíblia é inspirada e proveitosa (2Tm 3,16-17), é repetir o que a Igreja estabeleceu como inspirado e proveitoso.

Da Sagrada Escritura 

Por décadas a Tradição oral e a troca de cartas entre as Igrejas as uniam. Porém, somente no Séc. II o índice bíblico tal como o conhecemos hoje foi dado como terminado (Cânon de Muratori). Entretanto, foi somente no Séc. IV que o Cânon Bíblico foi elevado à categoria de oficial e institucional. Fazem parte deste, não somente o Novo Testamento, mas também o Antigo Testamento da qual os protestantes excluíram sete livros por própria conta e risco pelo fato de não estarem escritos em hebraico, mas em grego, os deuterocanônicos (Ap 22,18-19). O que não se justifica, já que eram usados pelos primeiros cristãos na Septuaginta, que a propósito, foi traduzida do Hebraico/Aramaico para o Grego por Judeus zelosos. Estes livros também foram inspirados pelo Espírito Santo ao Cânon original e estão de acordo com o resto das escrituras. Até porque, Jesus falava Aramaico e os evangelhos também foram escritos no Grego comum.

Neste cenário, é bom lembrar que a trajetória de Israel, sempre foi de um povo desobediente, dominado e cativos errantes entre as nações, da qual, a Grécia dominou por séculos, e apesar de Roma ser a potência dominante no período apostólico, o grego ainda mantinha sua força cultural.

Cânon: Do Grego "kanón", significando "medida ou norma", que por extensão, "catálogo, índice, registro". A partir do séc. IV, aplicou-se esta designação ao inteiro catálogo dos livros bíblicos inspirados por Deus, tanto referindo-se ao Antigo Testamento, como ao Novo Testamento.
Apócrifo: Do Grego "apókryphoi", significa "oculto ou não lido em público" - muito embora fossem lidos em particular. Na antiga Igreja, era necessário distingui-los dos outros sabidamente inspirados, da qual, embora tivessem grande semelhança com o estilo das Sagradas Escrituras, eram provenientes de obras humana heréticas e fantasiosas utilizados em seitas isoladas.
Protocanônico: Do Grego significando "primeiros [introduzidos] no Cânon". São os livros cujo valor inspirado nunca houve opinião divergente.
Deuterocanônico: Do Grego significando "em segundo [inseridos] no Cânon". São os livros que só depois de detida análise, foram oficialmente admitidos no catálogo bíblico.
Pseudoepígrafo: Significa "título falso". São livros falsamente intitulados, quer dizer, falsamente atribuídos a tal pessoa como autor.

Como percebemos, a distinção entre protocanônico e deuterocanônico, significa apenas a diferença cronológica em que entraram para o Cânon, e de modo algum os deuterocanônicos implicam em menor autoridade ou não possuindo inspiração em relação aos protocanônicos.

CONCLUSÃO

1) Assim, perseguidores afirmarem que a Igreja Católica iniciou com Constantino, é como dizer que os cristãos verdadeiros se desintegraram instantaneamente e a fé verdadeira se perdeu por centenas de anos. De maneira que desmentem Jesus quando garantiu que estaria conduzindo Sua Igreja até a consumação dos séculos (Mt 28,19-20; Jo 14,18).

2) Acusarem a Igreja de seguir tradições de homens de modo que toda a autoridade está apenas na Bíblia é no mínimo um argumento insano, pois negam a infalibilidade das autoridades da Igreja conferida por Cristo nas questões de fé, moral e cristianismo por milênios, então por coerência, deveriam portanto, desconfiar da nossa Bíblia que levam consigo como autoridade absoluta. Assim, negam também a Igreja primitiva a qual tentam se espelhar, porque, por aproximadamente quatrocentos anos após a morte de Jesus, era pela Tradição que se mantinham. 

3) Ressaltam suas ignorâncias teológicas, já que Jesus em tempo algum escreveu os evangelhos, sendo eles portanto, uma compilação da tradição oral de homens comuns muitos anos após os acontecimentos, ou seja, por volta de 30 à 60 anos depois. Lembrando que Jesus falava aramaico e os evangelhos foram escritos em grego.
Quer isso amargue neles ou não, também seguem a Tradição de homens por obrigatoriamente terem que confiar naquilo que está escrito nos evangelhos gregos e evidenciarem fé na Igreja Católica que os estabeleceram e os preservaram fiéis por quase dois milênios para só depois, a descobrirem com capa preta e zíper.

4) Entrementes, se consideram a Bíblia inspirada por Deus, não tem como a Igreja Católica não o ser também, já que à ela foi dada a comissão espiritual de a organizar com exatidão, preservar todo o seu conteúdo e levá-la à toda terra habitada. 

5) Negarem o primado de Pedro para justificarem suas igrejas confusas, é negarem a verdadeira Igreja de Cristo em prol de um espantalho feito a suas imagens e semelhanças para a fundamentação de uma permissão falsificada para meio de vida, domínio das massas e uma crença descompromissada, acomodada e adaptada aos seus estilos de vida paganizados.

6) Se não possuíamos o Espirito Santo para tal empreitada em relação à tudo o que envolveu a Bíblia e à evangelização solitária por estes dois mil anos, então Jesus fracassou e tudo está perdido, pois sua Palavra ficou aos cuidados de um povo fraudulento.

Que Deus tenha misericórdia destas pessoas que se fazem de bodes, da qual estão pastando sossegadamente, encantadas pelo alimento farto cevado pelo diabo a beira das estradas da vida. Talvez houvesse mais sabedoria nelas, se não acreditassem tolamente que já a possui...

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