terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Desassombro Pessoal


As asas de nossa liberdade nascem quando o descrédito por algo relevante nos acomete. Muitas são as colunas que amparam nossa existência - se é que realmente todas são objetivas. E quando um desses pilares de sustentação é demolido, temos a falsa sensação de que parte de nossa vida também se despenhou. A angústia entra em nosso ser e fere profundamente em primeiro momento o espírito. 

O tempo passa e então, como num passe de mágica, o despertador de nossa intuição nos tira do estado de letargia e nossos olhos se abrem e vemos que àquilo que inicialmente era ruim, na verdade veio para o nosso bem... Foi Deus que usou de um ‘tapa na cara’ para nos acordar após várias tentativas de avisar através de nossa consciência engolfada pelo sono, do mal que construía uma sebe em torno de nós. Inicialmente, Ele usou palavras suaves. Não houve resposta, estávamos dormindo. Mandou recados por todos os meios disponíveis, entretanto, continuávamos sonolentos. Então, já sem alternativas, Ele se colocou de pé e com força, nos rasgou daquela situação... Doeu, mas valeu à pena...

Vida Consciente


O passado é apenas uma lembrança assentada em nossa mente; tudo o que aconteceu, está definitivamente feito, selado e se foi. 
O futuro é subjetivo, pois ainda está por vir. Ele é o depois do agora. Ele é o amanhã do hoje. É os nossos sonhos e imaginações projetadas em alguma etapa adiante de nossas vidas. Aliás, levando a questão em termos de vida realmente vivida, ele é a realidade daquilo concebido no agora. 
O agora é o momento único que temos e, por conseguinte o mais importante. É nele que as soltas rédeas ou com elas firmes entre as mãos que nosso futuro se determina. 
Saber viver é saber aproveitar o momento presente para tirar da estagnação nossas aspirações pessoais. Um gesto simples no agora define toda uma vida. Quem assim não faz, mesmo estando vivo, não manifesta os sintomas próprios da vida...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O Servo


Nos antigos dias, quando a primeira palpitação da linguagem chegou aos meus lábios, subi a sagrada montanha e falei a Deus, dizendo:
- Senhor, sou Teu escravo. Teu desejo oculto é minha Lei, e obedecer-Te-ei para sempre.
Mas Deus não respondeu e como uma poderosa tempestade seguiu adiante.
E depois de mil anos, subi a sagrada montanha e novamente falei a Deus, dizendo:
- Criador, sou Tua criação. Da argila me fizeste, e a Ti devo tudo o que sou.
E Deus não respondeu, mas, como um milhar de asas ligeiras, seguiu adiante.
E depois de outros mil anos, subi a sagrada montanha e falei a Deus novamente, dizendo:
- Pai, sou Teu filho. Com piedade e amor deste-me nascimento, e mediante amor e adoração herdarei Teu reino.
E Deus não respondeu e, como uma neblina que encobre os montes ao longe, seguiu adiante.
E depois de outros mil anos, subi a sagrada montanha e novamente falei a Deus, dizendo:
- Ai meu Deus! Tú és minha meta e minha complementação, sou Teu ontem e Tu és meu amanhã. Sou Tua raiz na terra e Tu és minha flor no céu; e juntos crescemos ante a face do sol.
Então, Deus curvou-se sobre mim e sussurrou palavras doces ao meu ouvido, e tal como o mar envolve um arroio que corre para ele, assim Ele me envolveu.
E quando desci aos vales e às planícies, Deus estava lá...